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Ameaça em Bom Jardim-PE

Posted by ABC das Ruas ~ on terça-feira, 16 de abril de 2013 ~ 0 comments

Na reunião do Conselho Municipal de desenvolvimento Sustentável realizada no dia 24 deste mês, com preocupação, ouvimos o relato do Sr. Ramiro Apolônio da Silva, agricultor e presidente da Associação do Assentamento de Lagoa Comprida, que se fazia acompanhar do tesoureiro Sebastião Inácio da Silva. O Sr. Ramiro contou que assumiu a presidência da instituição há mais de dois anos e, desde então, juntamente com três outros companheiros, vem sofrendo constantes ameaças de morte da parte da ex-presidente, Dona Severina Ribeiro dos Santos e seus aliados. Segundo o informante, essa senhora jamais se conformou de ter perdido a eleição para ele e seus companheiros. 

De acordo com o Boletim de Ocorrência nº 12E0205000151, registrado na DEPOL de Limoeiro às 13h59min do dia 21/01/2012, a AMEAÇA – Doloso (Consumado) de que foi vítima o Sr. Ramiro Apolônio da Silva, aconteceu às 16h30 do dia 20/1/2012, no Assentamento Lagoa Comprida, próximo a área de Agropecuária.  No referido BO consta como autores da ocorrência Aldemar Teodoro de Lucena, Bolo,  Pingo, e Zuza. As testemunhas do fato delituoso estão relacionadas a seguir: Luiz José da Silva, José Domingos da Silva Filho, Sebastião Inácio da Silva e Manoel Antônio da Silva. Os instrumentos utilizados na agressão foram os seguintes: faca, foice e pedaço de madeira. Em seguida, transcrevemos na íntegra o termo devidamente assinado constante do BO em apreço: 


“A VÍTIMA, QUE É DIRIGENTE DO ASSENTAMENTO DOS SEM TERRA DE ONDE MORA, QUANDO ESTAVA SAINDO DE CASA ONTEM, POR VOLTA DAS 17:00H, PRESENCIOU UM MOTOCICLISTA QUASE ATROPELANDO UM BURRO (ANIMAL) QUE TINHA UMA CRIANÇA MONTADA, E ESTA CRIANÇA VEIO A CAIR DO ANIMAL. DISSE TAMBÉM QUE ESTAVAO  (sic) COMO PASSAGEIROS DA MOTOCICLETA, BOLO E UM IRMÃO DELE. A VÍTIMA NÃO SABE INFORMAR QUEM ERA O MOTOCICLISTA. QUANDO RAMIRO FOI RECLAMAR COM MOTOCICLISTA, BOLO ACHOU RUIM E AMEAÇOU A VÍTIMA COM UMA FACA, E  PARA SE DEFENDER A VÍTIMA PEGOU UM ENXADECO E BOLO CORREU, DIZENDO QUE IRIA CHAMAR SEU PAI. AS 11:00H, ALDEMAR  PASSOU PERTO DA VÍTIMA E TESTEMUNHAS E CHAMOU TODOS PARA BRIGAREM EM SEU TERREIRO. POR VOLTA DAS 14H30, BOLO, JUNTAMENTE COM IRMÃO, PAI E MÃE (PINGO, ALDEMAR E ZUZA, RESPECTIVAMENTE), VIERAM ARMADOS COM OS OBJETOS EM TELA PARA MATAR A VÍTIMA. QUANDO VIRAM QUE A VÍTIMA NÃO  (sic) ESTAVA ACOMPANHADO DE SEIS PESSOAS, DENTRE ELAS AS TESTEMUNHAS, DESISTIRAM DE ATACAR. APESAR DE NÃO TEREM FALADO QUE VOLTARIAM POSTERIORMENTE. RAMIRO ESTA COM RECEIO QUE VOLTEM, POIS A FAMÍLIA JÁ É CONHECIDA POR MAUS ATOS NO ASSENTAMENTO. SEGUNDO JOSÉ DOMINGOS, A VÍTIMA E AS OUTRAS TESTEMUNHAS, ALDEMAR POSSUI UMA ARMA DE FOGO, A QUAL NÃO SABEM INFORMAR QUAL O TIPO, POIS SÓ ESCUTAM OS TIROS A NOITE.”

Para maiores esclarecimentos, vamos transcrever também, integralmente, os termos referentes ao ATENDIMENTO/DENUNCIA Nº 01/2013, onde constam as assinaturas da vítima supracitada e mais nove companheiros, bem como do responsável pelo recebimento da Denúncia, com data de 03 de janeiro de 2013, para encaminhamento ao Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA; Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, Superintendência Regional de Pernambuco – SR-03; e Ouvidoria Agrária Regional – OAR.



“O TEXTO:



O Sr. Ramiro Apolônio da Silva – Presidente da Associação do Assentamento de Lagoa Comprida, situado em Bom Jardim/Limoeiro, acompanhado por José Aglailson da Silva, da coordenação do MST, e mais nove companheiros trabalhadores rurais assentados (lista Anexo 1) apresentam nesta data as seguintes denúncias:



1.     O Sr. Ramiro, desde que assumiu a direção do Assentamento, há mais de dois  anos,  vem

sofrendo todo tipo de ameaças por parte da ex-presidente da Associação, a assentada Severina Ribeiro dos Santos Irmã, apoiada por outros três assentados.

2.   Diante das ameaças sofridas, mo Sr. Ramiro, vem dirigindo-se às autoridades pedindo providências, sem que tenha sido atendido. Já apresentou três queixas à Delegacia de Polícia de Limoeiro, a mais próxima do Assentamento. Juntamos em anexo o Boletim de Ocorrência Nº 12E020500051 (Anexo 2). Também, por diversas vezes, deu conhecimento da situação ao INCRA, junto ao Polo de Bom Jardim, tendo ainda uma vez apresentado a denúncia junto à Ouvidoria.

3.    No último dia 29 de dezembro, o igualmente assentado do PA Lagoa Comprida, Sr. Manoel Francisco Nascimento Filho, conhecido por ZITO, com revolver na mão, acompanhou apressadamente o Sr Ramiro Apolônio da Silva na estrada, quando retornava da feira. Zito aparentando nervoso disparou um tiro contra Ramiro, tendo errado o alvo. Foi quando o Sr. Ramiro, em legítima defesa agarrou-se com ele e segurou o revolver. Em seguida, Zito tentou furar com faca Ramiro na barriga, tendo o mesmo conseguido desviar a faca, mas contudo ainda foi ferido na altura da sobrancelha, conforme mostra a Foto (Anexo 3).

4.   Consideram que a prática da violência se dá a mando da ex-presidente da Associação, Dona Severina Ribeiro, que não se conforma de ter perdido a eleição da Associação, caracterizando-se uma situação de disputa acirrada, sendo que ela só conta com três assentados aliados.

5.     Zito encontra-se foragido. Na fuga foi conduzido por outros três assentados.

6.   As ameaças continuam. A situação no Assentamento é tensa. Com frequência comparecem pessoas e carros estranhos ao Assentamento, causando pânico entre as famílias, que também se sentem ameaçadas. Consideram o grupo responsável pelas violências, uma quadrilha.

7.   A principal vítima, que por pouco não perdeu a vida, o Presidente da Associação, Sr. Ramiro, encontra-se impedido de permanecer no Assentamento, embora conte com o apoio e solidariedade da maioria das famílias assentadas.

8.   Também compareceu no ato da apresentação desta denúncia, o coordenador do MST Charle Afonso de Souza.

9.    O grupo de denunciantes assentados, diante da gravidade da situação de violência com ameaça de morte, solicitam providências por parte do INCRA junto aos setores competente e visita imediata à área do Assentamento em conjunto com o Ministério Público e reunião junto às famílias.”


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