Recém-desembarcado em terra brasileira,
deixara para trás a pátria e um grande amor,
bem como os pais, irmãos e a parentela inteira,
em troca da aventura, o bravo sonhador.
E adentrou o sertão com sua comitiva,
levando algum recurso, escravos, mantimentos...
Buscava um sítio bom na terra primitiva
para estabelecer-se e auferir rendimentos.
Um dia, deparou com a região dourada
do pau-d’arco amarelo, onde um rio corria.
E decidiu então parar a caminhada,
erguendo no local singela moradia.
Desbravada a floresta, o grande pioneiro,
num gesto paternal, o povo incentivava
para que construísse, ali mesmo no outeiro,
a sua habitação... E o lugar prosperava.
Mandou erguer de taipa e cobriu de sapé
a pequena capela em honra de Sant’Ana.
E um padre contratou para levar a fé
e o bom ensinamento à criatura humana.
O aventureiro audaz, a tudo sempre atento,
na terra promissora implantou logo, afoito,
um marco inicial de desenvolvimento...
Estava começando o século dezoito.
Bom Jardim, 31.8.2000
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