Assim
é a nova administração de Bom Jardim. Embora tenham assumido um novo
prefeito e novo secretariado, a gestão continua “Como antes no Reino de
Abrantes”. Isto porque o poder de mando está nas mãos do ex-prefeito,
que indicou todos os secretários, menos um. O Todo-Poderoso ex-prefeito
passou a atuar como uma espécie de Primeiro-Ministro, pois das 8
secretarias emplacou 7, deixando para o sucessor tão somente a
insignificante Secretaria de Agricultura, que existe apenas no papel,
uma vez que durante os oito anos da gestão passada não exerceu qualquer
atividade. Inúmeros comentários circulam pelos quatro cantos da cidade.
A
cada momento se ouve que o novo prefeito manda tanto quanto a rainha da
Inglaterra, onde quem de fato detém o poder é o Primeiro-Ministro. O
ex-prefeito criou um cargo para si próprio: o de Secretário de Governo.
Este cargo se existia, jamais foi preenchido. Deve ter sido inspirado no
modelo russo. Lá, quando Vladimir Putin deixou a presidência, elegendo
Dimitri Medvedev como seu sucessor, autonomeou-se Primeiro-Ministro e,
quando o mandato deste chegou ao fim, retornou ao cargo de presidente,
perpetuando-se no poder.
No nosso caso, o que se verifica é que o
ex-prefeito foi, como se diz popularmente, “Com muita sede ao pote”,
abocanhando praticamente todos os cargos de importância da Prefeitura.
Entretanto, essa fome de poder acabará se transformando (e certamente se
transformará) numa “faca de dois gumes”, porque forçará o novo chefe do
Executivo a acordar da letargia em que se encontra e tomar uma atitude,
conscientizando-se de que, afinal, o prefeito é ele. Temos absoluta
certeza de que isto vai acontecer mais cedo ou mais tarde. Tem
acontecido com certa frequência em outros municípios. Em Bom Jardim não
será diferente.
Que sirva de exemplo o rompimento entre João da Costa e
João Paulo em Recife. Conhecemos as origens de Miguel Barbosa. É um
rapaz de bem, descendente de excelentes famílias, que saberá honrar seus
ancestrais. Berço é fundamental na formação de qualquer cidadão e isso
ele tem de sobra. Aliás, o que mais se escuta são rumores de
correligionários, revoltados, reclamando que votaram em Miguel e não no
seu predecessor, portanto querem ver o novo prefeito exercendo o mandato
em toda a sua plenitude. Inclusive, já há ameaças de passeata para
modificar esse estado de coisas. Ninguém ignora que o prefeito eleito e
empossado deve gratidão a quem o ajudou a se eleger, mas convém não
confundir gra-ti-dão com passividade, subserviência, obediência cega, ou
seja lá o que for.
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